domingo, 1 de abril de 2012

Quando você não se reconhece no espelho

De repente, você se vê mergulhada em ceticismo. Suas opiniões, sua forma de ver as pessoas, relacionamentos, o mundo...tudo tão seco, concreto, até mesmo triste! Então, percebe que mudou muito. Percebe que não é mais a mesma pessoa de algum tempo atrás. "Há quanto tempo você é essa pessoa diferente?" Uma voz dentro da cabeça pergunta isso incessantemente. E uma parte do que você já foi, deseja que a voz fosse a de um grilo falante, aquele do Pinóquio, tentando te acordar ou resgatar. Você pára, pensa, e tenta olhar o mundo com um pouco de romantismo ou de forma lúdica, mas parece insensatez. Você começa a se perguntar como endureceu tanto. Em que ponto da sua vida, a realidade se mostrou tão feia, tão seca? Dói! Dói perceber que você parou de acreditar nas pessoas, no ser humano. Dói perceber que só te resta a fé... Procurar ter fé na humanidade! Dói saber que ao menor vacilo, essa fé pode esvanecer... dói imaginar o tipo de pessoa que você viria a ser então. Dói perceber que a vida se tornará uma batalha interna, na qual você tentará ver o melhor nas pessoas, combatendo seu ceticismo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Relógio quebrado

Quebrar o tempo, quebrar relógios... tudo o que eu poderia querer! Brecar a fugacidade dos segundos só pra ter, por perto por mais tempo, as vidas que fazem parte da minha vida! Mais tempo... mais tempo pra conversar, ouvir suas risadas, assustar com seus espirros, dizer o quanto o admiro. Eu quero quebrar relógios, parar o correr das horas, porque essas despedidas impostas pela brutalidade do tempo quebraram meu coração. E cada caquinho remonta um momento, uma saudade grande!
"Não tenho medo, está chegando a hora de fazer a viagem!" Eu não acreditei, porque as pessoas da minha vida deveriam ser eternas. Sim, eu sou ingênua desse jeito, viu?! Também não sou valente, nem brilhante como o senhor, e por isso, peço desculpas pelas lágrimas incessantes, quando merece belas homenagens. Mas, eu sou péssima em despedidas, sua ausência dói. Vai em paz! Por aqui, como o tempo continua a passar... Até um dia!
Fica com Deus, coração!


Para Hermano Francisco dos Santos, in memoriam.
Meu bisavô e uma das pessoas mais brilhantes e admiráveis que conheci.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Despedir dá febre

"Despedir dá febre", já dizia Guimarães Rosa. E dá mesmo, vem aquele calor de dentro do peito, que sobe para o rosto, formando lágrimas quentes. Despedir dói! Essa febre queima a garganta, arde a alma, ferve o sangue, faz latejar os sentidos. Despedir dói! Não há antipirético que solucione a hipertermia, não há analgésico que faça a dor parar... Só as lágrimas podem confortar, somente as boas recordações podem anunciar a calmaria. Apenas o tempo pode diminuir a dor da saudade e provocar um sorriso nostálgico na evocação de uma memória.

- Nos separamos agora, para um dia nos reencontrarmos! Enquanto isso, procurarei seu sorriso nas estrelas, pois tenho a certeza de que você estará se divertindo por lá.


Dedicado a Hilda Leite Ribeiro, in memoriam.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Concordando em discordar

"Não é só pelo simples fato de ser do contra". Não, na verdade, a cada divergência de opiniões, os olhos dele brilhavam de entusiasmo na quase vã tentativa de a convencer da sua certeza. E ela adorava aquelas estrelas reluzentes que convidavam a viver...
"Sabe, continuarei discordando de você! É tão fácil viver assim... Ser do contra ao seu lado é ser feliz."

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Talvez...

Talvez, fôra apenas sadismo. Aliás, sadismo à flor da pele, que o cegara para qualquer sentimento alheio, fazendo-o colocar em riste a espada só para magoar.
Talvez, em sua sádica loucura, acreditara que após a mágoa, poderia lançar-se como um nobre fidalgo e herói para salvá-la da tristeza.
Talvez, fôra singela inocência. Acreditara que ela não saberia, continuando a insistir na ilusão, na existência daquele amor cortês...
Sádico ou inocente: ele ainda tinha muito o que aprender!
Talvez, como nobre fidalgo errante aprenda a amar sem cicatrizes...
Talvez, como nobre cavaleiro aprenda que existem rainhas mais fortes que os reis por essas terras...
Talvez, aprenda que o xadrez metaforiza a vida...
Talvez, aprenda a fazer sentido... e a ver que tudo faz sentido!

Impossível bem-me-quer

Na brincadeira de despetalar flores, tirei a sorte grande: um perene bem-me-quer! Mas, brinquei com flores do cerrado, que não nascem na mata atlântica.
E minha prenda foi florescendo tão, tão distante...
E meu coração foi desfolhando em saudades.

Espera

Tão visível a ansiedade nos ponteiros do relógio, que retraídos e tímidos seguem seu rítmo mecânico.
Reparou no céu azul?
Tão visível as escadas preparadas pelas nuvens, mas os pés estavam tão distantes...